segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Erramos

Pois é, os ventos sopraram na minha mesa. Embora pretensamente parcimoniosas, minhas colocações no post Morte por Capes, Pesquisa em Administração e Mackenzie geraram manifestações concordes, mas suscitaram críticas, não no blog, e sim por email ou dirigidas pessoalmente.

Até aí tudo certo; e viva o contraditório! A questão é que divulguei dados incorretos e que devem ser reparados. Então vamos lá:

1) Na avaliação da CAPES, a UFRGS não saltou de 5 para 6. Esse programa já tinha nota 6 e, assim como a FGVSP, manteve sua avaliação;

2) Na avaliação trienal de 2007 já havia 12 instituições avaliadas com a nota 5 (dentre elas o Mackenzie). Na avaliação de 2010 são apenas 11 (e não 14 como havia divulgado). Misturei administração acadêmica com outros programas de mestrado profissional ou de contabilidade, que são de naturezas diversas.

3) Não divulguei (até porque não tinha conhecimento pleno do aspecto longitudinal da avaliação) que, dentre esses 11 programas, A UNB, UNIVOVE e PUCRGS (Mestrado) subiram de 4 para 5; por outro lado, UFBA, UFLavras e UFPR desceram de 5 para 4.

Da forma como escrevi anteriormente, ficou a impressão de que a nota 5 mantida pelo Mackenzie seria um demérito ao programa. Retrato-me quanto a esta conotação aparente e reafirmo meu testemunho dos esforços e bons resultados que têm sido gerados para que o CCSA sustente e expanda sua excelência.

Mas não quero, e não irei, apenas me retratar. Explicarei também por que escrevi aquele post. Foram três as razões:

1) Rebater a idéia de que a CAPES presta um desserviço à pesquisa em administração, tal como sugerido na coluna do professor Thomaz Wood. Interessante que, depois que entrei nessa discussão, eu e o nobre professor trocamos emails e as palavras que recebi (como se poderia esperar de alguém com a sua elevada estatura), foram as seguintes: "Agradeço a mensagem e comentários. Desejo sucesso na Pós, Ricardo. O debate é sempre oportuno".

2) Valer-me do próprio relatório da CAPES (disponível em seu site, cujo trecho foi transcrito no post) para compreender a mensagem e diretrizes para que qualquer instituição de reputação "excelente" (ou seja, nota 5), rume em direção à "distinção" (ou seja, nota 6 e 7). Nesse sentido, minha referência ao Mackenzie deu-se pelo mero fato de pertencer a esse programa, mas a mensagem da CAPES é dirigida a todas as Universidades brasileiras, cujos programas stricto-sensu são regulamentados por aquele órgão governamental.

3) Por fim, compartilhar uma reflexão pessoal de que um possível caminho para se alcançar a "distinção" (porque a excelência já foi conquistada), está no auto-conhecimento organizacional e na exploração dos diferenciais competitivos dele resultantes.

O Mackenzie não é uma universidade pública, não é uma organização familiar, muito menos faz subscrição primária de ações para captar seus recursos. O Mackenzie é uma instituição filantrópica que tem como associada vitalícia a Igreja Presbiteriana do Brasil. Sendo assim a integração dessa díade "academia" e "confessionalidade", tal como se dá de modo tão bem sucedido em universidades confessionais americanas e européias, longe de ser um problema, é um diferencial competitivo a ser explorado e, talvez uma das chaves para levar o programa mackenzista à "distinção".

Digo isso porque a IPB tem relações internacionais intensas e que poderão convergir com os desafios da internacionalização do programa do CCSA do Mackenzie. "Integração", portanto, é a palavra que sintetiza o que tenho defendido.

Por fim, agradeço ao Thomas Wood a oportunidade de suscitar essas questões, e aos colegas do programa pelas críticas que me foram endereçadas. Peço também a Deus que o direito e a liberdade de expressão sejam mantidos neste país, algo pelo qual prezo e cultivo.

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